Os olhos não vêem e ainda assim sinto
Tua ausência mesmo quando ao meu lado.
Teus lábios insistindo nos inventos,
Trazendo-me assim o maior dos fardos.
Se é de dor que sobrevive a paixão,
E de dúvidas as ideias, escolho
Sofrer então por não te ter comigo,
Desprezar a vida como consolo.
Medir minhas palavras já não basta,
Se no fim o que nos resta é vontade
De romance, de aventura e de graça.
Despeço-me do poema e de ti.
Dê lembranças aos antigos afagos,
Pois agora não moras mais em mim.
20.8.09
18.6.09
quando digo...
Quando digo que te amo
não digo por vaidade
ou por esperar que a recíproca seja verdadeira.
Te amo porque sinto, por exalar isso em meus poros,
por necessitar mais de ti que do próprio ar,
que se esvaecerá e será de nada lembrado.
Tu és minha crença na felicidade,
que enfim tocou de meu colo.
És também minha fé,
por acreditar que esta restará para sempre.
20.5.09
sempre cedo.

Eu queria ser diferente,
E queria ser o certo.
Tudo junto, amontoado.
Queria ser vista graciosa
Pelos olhos amenos da família.
Ser a única no centro de todos
E que nenhuma dúvida restasse
Que sou o melhor que posso ser,
E mesmo com minhas obsessões tolas
Sou fraca para lutar
Por quem ainda nem meu bem me quer.
11.2.09
persona.
Eu estava completamente sozinha
Quando ele entrou irradiou a triste sala de papel de parede florido
Sentou-se ao meu lado e conversamos durante um certo tempo infinito
Essa conversa que em algum lugar de outro tempo pareciamos já ter tido
Ele me fez rir, elogiou o laço que enfeitava meus cabelos (e que tanta insegurança me trazia)
Pegou minha mão, puxou-a para si e beijou-a com ternura e respeito
Deixou em casa meus pés saltitantes e a face esticada
Era a felicidade que começava se apresentar
Pena que para o amor seja também necessária a angústia
E de felicidade ficou apenas aquela noite
E de dor sobraram todos as outras
Não voltei a ser quem sou
E quem agora ainda vaga é uma persona
Criada pela mágoa do encontro de amor mal sucedido.
Quando ele entrou irradiou a triste sala de papel de parede florido
Sentou-se ao meu lado e conversamos durante um certo tempo infinito
Essa conversa que em algum lugar de outro tempo pareciamos já ter tido
Ele me fez rir, elogiou o laço que enfeitava meus cabelos (e que tanta insegurança me trazia)
Pegou minha mão, puxou-a para si e beijou-a com ternura e respeito
Deixou em casa meus pés saltitantes e a face esticada
Era a felicidade que começava se apresentar
Pena que para o amor seja também necessária a angústia
E de felicidade ficou apenas aquela noite
E de dor sobraram todos as outras
Não voltei a ser quem sou
E quem agora ainda vaga é uma persona
Criada pela mágoa do encontro de amor mal sucedido.
quando é que se descobre o amor?
quando o seu mundo vira de cabeça para baixo e ainda assim tudo continua na mais perfeita ordem.
quando o seu mundo vira de cabeça para baixo e ainda assim tudo continua na mais perfeita ordem.
24.11.08
agora.
me falta a inspiração dos dias
em que tecia palavras vazias
sem saber que com elas apresentaria
só desejos sem focos
e manhãs sem bom dia.
em que tecia palavras vazias
sem saber que com elas apresentaria
só desejos sem focos
e manhãs sem bom dia.
11.11.08
Por favor, suma.
Leve junto com sua voz vibrante as doces palavras
Pegue as contas, as pontas, as mágoas.
E não volte mais
Nem para uma conversa, nem para o café
Que só de te ver a vontade já toma conta de minhas decisões.
Leve junto com sua voz vibrante as doces palavras
Pegue as contas, as pontas, as mágoas.
E não volte mais
Nem para uma conversa, nem para o café
Que só de te ver a vontade já toma conta de minhas decisões.
10.11.08
vero.
Escrevo, tento escrever
mas tem sido cada dia mais difícil
já que os pensamentos não mudam
e o foco está sempre apontando na mesma direção
mãos atadas ou convite à rejeição
olhos por trás das lentes
me olham?
mas tem sido cada dia mais difícil
já que os pensamentos não mudam
e o foco está sempre apontando na mesma direção
mãos atadas ou convite à rejeição
olhos por trás das lentes
me olham?
24.10.08
"Ainda deitada com os seios à mostra e livro marcado na cabeceira, suspirou. Ela sabia que aquele seria o primeiro dos últimos dias de sua liberdade íntima."
raros.
Recebi hoje uma carta de Santiago.
Dizia que estava retornando, como se isso pudesse ser e fosse tão natural quanto pingos nos jotas.
Estava arrependido de me arrancar a carne e tornar meus dias eternas segundas-feiras. Queria me ver.
- Dio santo! O que fazer?
Rasguei suas palavras e frases e versos sem ao menos ler o endereço do encontro.
Ao menos lembrei-me de cheirá-la. Era mofo e cocaíca (O odor mais apaixonante que haveria de provar em vida).
Se nossa sintonia ainda estivesse presente, essa era a hora de confirmar.
Andei 32 quadras, descalça, desviando olhares e pedras.
Andei e subi e segui e suei e desci e corri e chorei.
Minh'alma bambeava dentro do corpo. Cheguei.
"Deve estar atrasado, como de costume" - pensei eu.
Enquanto o dia se esvaia, meu amor que tão prontamente voltou com sua carta, o acompanhava.
Os pés que tão fortes foram agora já não sustentavam o corpo.
Caí. Não havia ninguém por perto.
Se esse nosso lugar não fosse tão secreto teríam me achado em poucos minutos, e não em 3 semanas como de fato.
Inconsciente, indulgente, indigente.
Quando recobrei os sentidos lembrei-me de que o endereço não foi a única coisa que fiz questão de não ler, faltou também o dia.
O encontro seria no verão, os mensageiros estavam atrasados.
Ficou me esperando com água nos olhos e chapéu na mão, mas não atrás dos muros da praça em Seville, nosso lugar secreto.
- Em que pensavas?
Talvez não pensasse, por isso se deixou levar pelas ondas que ocuparam seu corpo.
É fácil, a sintonia foi se apagando com a passagem desses milhares de dias.
Não sofro com tua inda, pois você já não era mais o alguém por quem eu costumava me apaixonar, mas sofro, e sofro como nunca pela certeza dos amores acabados.
Dizia que estava retornando, como se isso pudesse ser e fosse tão natural quanto pingos nos jotas.
Estava arrependido de me arrancar a carne e tornar meus dias eternas segundas-feiras. Queria me ver.
- Dio santo! O que fazer?
Rasguei suas palavras e frases e versos sem ao menos ler o endereço do encontro.
Ao menos lembrei-me de cheirá-la. Era mofo e cocaíca (O odor mais apaixonante que haveria de provar em vida).
Se nossa sintonia ainda estivesse presente, essa era a hora de confirmar.
Andei 32 quadras, descalça, desviando olhares e pedras.
Andei e subi e segui e suei e desci e corri e chorei.
Minh'alma bambeava dentro do corpo. Cheguei.
"Deve estar atrasado, como de costume" - pensei eu.
Enquanto o dia se esvaia, meu amor que tão prontamente voltou com sua carta, o acompanhava.
Os pés que tão fortes foram agora já não sustentavam o corpo.
Caí. Não havia ninguém por perto.
Se esse nosso lugar não fosse tão secreto teríam me achado em poucos minutos, e não em 3 semanas como de fato.
Inconsciente, indulgente, indigente.
Quando recobrei os sentidos lembrei-me de que o endereço não foi a única coisa que fiz questão de não ler, faltou também o dia.
O encontro seria no verão, os mensageiros estavam atrasados.
Ficou me esperando com água nos olhos e chapéu na mão, mas não atrás dos muros da praça em Seville, nosso lugar secreto.
- Em que pensavas?
Talvez não pensasse, por isso se deixou levar pelas ondas que ocuparam seu corpo.
É fácil, a sintonia foi se apagando com a passagem desses milhares de dias.
Não sofro com tua inda, pois você já não era mais o alguém por quem eu costumava me apaixonar, mas sofro, e sofro como nunca pela certeza dos amores acabados.
Assinar:
Postagens (Atom)
